Definição
A STET (Systèmes Technologiques d'Échange et de Traitement) é uma empresa francesa criada pelos grandes bancos franceses.
Ela desempenha dois papéis-chave: operar o sistema de compensação CORE(FR) (as transferências e débitos SEPA franceses) e publicar a API PSD2 de referência que a maioria dos bancos franceses implementou para a sua conformidade.
STET vs Berlin Group
Quando a PSD2 chegou, três padrões de API surgiram:
- STET — impulsionado pelos bancos franceses (e pela comunidade belga): REST + JSON + OAuth2 + HTTP-signature, baseado em ISO 20022.
- Berlin Group / NextGenPSD2 — impulsionado pelos bancos alemães, austríacos e nórdicos, o mais amplo geograficamente.
- OB UK — padrão britânico, mais exaustivo, mas fora da UE desde o Brexit.
Para uma fintech francesa, dominar a STET é incontornável; para escalar na Europa, é preciso também lidar com o Berlin Group (e o OB UK para o mercado britânico).
O que a STET (a empresa) faz
- Opera o CORE(FR): a principal plataforma de compensação interbancária francesa, classificada como sistema de pagamento de importância sistêmica desde 2014. Mais de 36 bi de transações processadas em 2024 no conjunto de suas plataformas.
- Publica a spec da API PSD2 (versão 1.6.3, out. 2022): endpoints AIS, PIS, CBPII, modelos de consentimento, tratamento de erros.
- Anima a comunidade dos bancos implementadores (versões, evoluções, alinhamento regulatório).
O que a STET não faz
- Não autoriza nenhum ator: é a ACPR que concede as autorizações.
- Não escreve a regulação: traduz a PSD2 e os RTS em uma spec implementável.
- Não opera a API dos bancos: cada ASPSP hospeda sua própria instância, com suas especificidades.
- Não é um regulador: uma empresa privada detida pelos bancos.
No ecossistema PSD2
A STET é o componente técnico que permite a um TPP francês se conectar aos grandes bancos com uma lógica de integração única — em teoria, pois cada banco tem, na prática, suas sutilezas.
Exemplos concretos
- Bancos sob STET: BNP Paribas, Société Générale, LCL, Crédit Agricole, BPCE, La Banque Postale, Crédit Mutuel — a esmagadora maioria do mercado francês.
- Bancos sob Berlin Group: Revolut, N26, HSBC France e a maioria dos bancos DACH ou escandinavos — para cobrir todo o mercado, é preciso lidar com os dois padrões.
- Variações de implementação: mesmo sob STET, dois bancos podem divergir no formato de data, no tratamento de erros, na disponibilidade de endpoints ou na fluidez do SCA — daí o valor dos agregadores (Bridge, Tink, Yapily).
- Versionamento: a spec evolui regularmente (1.4 → 1.5 → 1.6), em ritmos diferentes conforme o banco — um ponto a antecipar em um projeto de integração.