Definição
O BIC (Bank Identifier Code), também chamado de código SWIFT, é o identificador internacional de um banco, definido pela norma ISO 9362.
Com 8 ou 11 caracteres, ele designa de forma inequívoca uma instituição (e, eventualmente, uma agência) em qualquer lugar do mundo. Desde 2016, deixou de ser obrigatório no SEPA — o IBAN basta — mas continua indispensável para transferências internacionais fora da zona do euro.
Anatomia de um BIC
Quatro blocos, exemplo BNPAFRPPXXX:
- 4 letras — o banco (
BNPA= BNP Paribas). - 2 letras — o país (ISO 3166:
FR). - 2 caracteres — a localização, em geral a cidade (
PP= Paris). - 3 caracteres opcionais — a agência (
XXX= sede).
Ou seja, BNPAFRPP (8 caracteres) ou BNPAFRPPXXX (11 caracteres, com a agência).
BIC x IBAN
A confusão mais frequente:
- BIC — identifica o banco.
- IBAN — identifica a conta específica nesse banco.
Um BIC sozinho não permite nenhuma transferência (falta a conta); um IBAN sozinho basta no SEPA, pois já contém o código do banco que permite recuperar o BIC. É exatamente por isso que o BIC se tornou opcional no SEPA em 2016.
Quando o BIC ainda é útil
- Transferência internacional fora do SEPA: enviar USD, CHF ou GBP fora do euro exige o BIC no lado SWIFT.
- Identificação de um banco: identificador estável e global, prático para bancos de dados, regras de roteamento ou relatórios.
- VoP: o banco do beneficiário costuma usá-lo internamente para rotear a chamada.
- Conciliação contábil: alguns formatos de exportação (CAMT, MT940) identificam as contrapartes pelo BIC.
O que o BIC não faz
- Não identifica uma conta: isso é o IBAN.
- Não valida um titular: isso é a VoP.
- Não é mais exigido no SEPA desde 2016 (Regulamento UE 260/2012).
- Não informa a solvência de um banco (esse é o objeto dos ratings da Moody's, S&P etc.).
BIC conectado ou não ao SWIFT
Nem todos os BICs estão ligados à rede:
- BIC conectado (8º caractere ≠
0): o banco usa ativamente o SWIFT para a mensageria internacional. - BIC não conectado (8º caractere =
0): um BIC apenas de identificação, sem recepção direta de mensagens SWIFT — típico de pequenos bancos ou de certas fintechs.
Um detalhe técnico que pode surpreender em uma integração pan-europeia.
No ecossistema PSD2
Nas APIs da PSD2 (STET, Berlin Group), o BIC aparece no campo bicFi ou equivalente. Raramente exigido do lado do pagador (o IBAN basta), ele segue sendo transmitido nos fluxos de compensação e exibido nos extratos.
Exemplos concretos
- Alguns BICs franceses: BNP Paribas
BNPAFRPPXXX, Société GénéraleSOGEFRPPXXX, Crédit Agricole IDFAGRIFRPPXXX, LCLCRLYFRPPXXX, BoursoramaBOUSFRPPXXX, Revolut Bank UAB (Lituânia)REVOLT21XXX, N26 Bank GmbH (Alemanha)NTSBDEB1XXX. - Erro clássico: um cliente digita o BIC manualmente e erra. A solução: derivá-lo automaticamente do IBAN por meio de uma biblioteca (
ibanno npm,iban4j), o que elimina a digitação e metade dos erros. - Wise / Revolut: seus BICs são lituanos, belgas ou irlandeses, conforme a licença. Perfeitamente utilizáveis no SEPA para um cliente francês, ainda que um empregador ou um órgão público possa estranhá-los (e recusá-los indevidamente).
- API da PSD2: em uma requisição STET, o BIC fica em
debtorAgent.bicFi. Um BIC que não corresponda exatamente ao deduzido do IBAN geralmente não faz o pagamento falhar — uma tolerância frequente do lado do ASPSP. - Diretório: para resolver um BIC, prefira o diretório oficial da SWIFT às bases gratuitas, muitas vezes desatualizadas (bancos renomeados, fundidos, agências fechadas).