Definição
O SCT Inst (SEPA Instant Credit Transfer) é a transferência SEPA instantânea: uma transferência em euros executada em menos de 10 segundos, 24/7/365.
O teto por operação foi elevado a € 100.000 em julho de 2020 e, depois, eliminado em nível de scheme com o rulebook de 2025. Desde a Instant Payments Regulation (UE 2024/886), é obrigatório para todos os bancos da zona do euro e gratuito para pessoas físicas, ao mesmo preço de um SCT clássico.
SCT Inst vs SCT: a ruptura em 4 pontos
- Prazo: menos de 10 segundos, contra até 1 dia útil.
- Disponibilidade: 24/7, incluindo noites e fins de semana.
- Teto: € 100.000 desde 2020 (€ 15.000 no início), teto de scheme eliminado em 2025.
- Confirmação: pagador e beneficiário recebem uma confirmação imediata da execução.
A Instant Payments Regulation: 2 datas em 2025
- 9 de janeiro de 2025 — todos os bancos da zona do euro devem poder receber um SCT Inst.
- 9 de outubro de 2025 — eles devem poder emitir um SCT Inst, ao preço de um SCT clássico (portanto gratuito para pessoas físicas) e com VoP obrigatório.
Os bancos fora da zona do euro (Suécia, Polônia, Romênia) têm prazos estendidos, até 2027 para alguns.
Como funciona
Dois sistemas paneuropeus dominam a infraestrutura: EBA RT1 (EBA Clearing, privado) e TIPS (TARGET Instant Payment Settlement, BCE, público). Um banco deve aderir a pelo menos um dos dois, que são interoperáveis.
O que o SCT Inst exige a mais
- VoP obrigatório desde outubro de 2025: o banco do pagador verifica a correspondência nome/IBAN junto ao banco do beneficiário e alerta em caso de divergência.
- Disponibilidade 24/7: um grande projeto de arquitetura (fim dos batchs noturnos, das janelas de manutenção).
- Sanções graduadas em caso de não conformidade, sobretudo após outubro de 2025.
O que o SCT Inst não muda
- Apenas EUR: nada de instantâneo em USD, GBP ou CHF via SEPA.
- Irrevogável: uma vez executado, tão definitivo quanto um SCT clássico — mais rápido, portanto menos janela para cancelar.
- Sempre sob SCA quando iniciado online por um PSU.
- Não é exclusivo dos PISP: qualquer um pode fazê-lo pelo app do seu banco.
No ecossistema PSD2
O SCT Inst é o combustível dos novos usos: sem ele, não há pagamento a lojista por PISP no checkout, não há P2P eficiente, não há assinatura com débito instantâneo. É o componente que torna o Open Banking finalmente competitivo frente ao cartão.
Exemplos concretos
- Pagamento a lojista: na Decathlon via Fintecture, o lojista recebe a confirmação antes de você sair da página — 0% de inadimplência, taxas quase nulas. É o que ameaça o cartão em certos segmentos.
- P2P: € 50 enviados a um amigo via Lydia, Lyf ou a transferência instantânea do seu banco, creditados em 2 a 8 segundos.
- Cobrança B2B urgente: com GoCardless Instant Bank Pay ou Bridge, uma PME é creditada no mesmo dia, em vez de em 60 dias.
- Salário de emergência: algumas plataformas de RH (PayFit, Lucca) conseguem pagar um salário em um domingo à noite — impensável antes.
- Custo para os bancos: a migração para o tempo real 24/7 custou várias centenas de milhões de euros ao sistema bancário europeu entre 2023 e 2025.
- Risco de fraude: irrevogável e imediato, o SCT Inst impulsiona os golpes de APP — daí o VoP obrigatório e a futura ampliação do reembolso pelo PSR.
- Implementação: um PISP precisa lidar com a flag
INST(em STET ou Berlin Group); nem todos os bancos a suportam ainda na emissão em 2025, situação que se resolve até 2026.