Definição
A Tink é uma fintech sueca criada em Estocolmo em 2012, que se tornou uma das líderes europeias do Open Banking B2B.
Ela cobre mais de 3.400 bancos em 18 mercados europeus e fornece um toolkit completo: agregação (AIS), iniciação de pagamento (PIS), enriquecimento de transações, scoring de crédito e KYC. Comprada pela Visa em março de 2022 por € 1,8 bi, tornou-se o braço de Open Banking europeu da rede — uma operação possibilitada após o bloqueio da compra da Plaid pelo DoJ em 2021.
História
- 2012 — criação em Estocolmo.
- 2014 — app de PFM de massa na Suécia.
- 2017 — pivô para B2B (API de agregação), abandono do app consumer.
- 2018-2020 — rodadas vultosas, expansão na UE.
- 2021-2022 — compra pela Visa anunciada (€ 1,8 bi) e depois concluída.
Oferta
- Agregação (AIS): API REST para contas, saldos, transações, webhooks, gestão do consentimento.
- Iniciação de pagamento (PIS): Pay by Bank, SCT e SCT Inst, métodos domésticos (Bizum, Swish).
- Transaction Enrichment: categorização, logo do lojista, normalização de MCC, detecção de assinaturas.
- Risk Decisioning: scoring de crédito baseado nos fluxos (concorrente da Algoan na França).
- KYC / Income Check: verificação de identidade e de renda, peça-chave para o BNPL e o crédito.
Cobertura e modelo
Cobertura forte nos países nórdicos, no Reino Unido e na Irlanda, além de Alemanha, Países Baixos, Bélgica, França, Espanha, Itália e Portugal — 18 países no total. Modelo de negócio por chamada de API ou usuário conectado, assinatura enterprise para grandes contas e bundling crescente com os demais serviços da Visa.
Clientes (~8.000 empresas)
Neobancos (N26, Revolut, Bunq), PayPal (agregação para o Pay in 4 EU), Klarna (Open Banking e scoring), bancos que usam a Tink internamente (BNP Paribas, NatWest, ABN Amro) e o Apple Pay Later no Reino Unido.
Tink vs concorrentes
| Player | Origem | Cobertura | Posicionamento |
|---|---|---|---|
| Tink (SE/Visa) | Estocolmo | 18 mercados, 3.400+ bancos | Líder generalista da UE |
| Plaid (US) | São Francisco | EUA, UE progressiva | Líder nos EUA |
| TrueLayer (UK) | Londres | Forte no Reino Unido, UE | Líder em PIS no Reino Unido |
| Bridge (FR) | Paris | FR + UE | Líder na França |
| Yapily (UK) | Londres | UE + Reino Unido | API-first, headless |
| Fintecture (FR) | Paris | FR + UE | Pure player de PIS para lojistas |
A Tink costuma ser considerada a líder generalista europeia, com a mais ampla cobertura de bancos.
A compra pela Visa
A Visa buscava entrar no Open Banking após o fracasso da Plaid; a Tink, mais aceitável para as autoridades europeias, permitiu combinar cartões Visa, AIS, PIS e Visa B2B. A Tink mantém sua marca e sua equipe, mas se torna uma peça estratégica frente aos pagamentos alternativos (PIS, A2A) e à potencial erosão dos volumes de cartão.
Conformidade
Certificada FAPI 1.0 Advanced (OpenID Foundation), autorizada como AISP + PISP nos países relevantes da UE e compatível com Berlin Group, OBIE UK e STET FR.
O que a Tink não é
- Não é um banco: status de AISP + PISP somente.
- Não é uma wallet: nenhum armazenamento de fundos.
- Não é um PSP adquirente de cartão (mesmo sendo detida pela Visa).
- Não é open source: SaaS B2B fechado.
- Não é independente: subsidiária da Visa desde 2022.
No ecossistema PSD2 / Open Finance
A Tink é central: líder na PSD2, prepara a extensão FIDA (poupança, seguros, crédito), integra a VoP, aproveita o IPR como alavanca de adoção do PIS e prevê a integração da EUDI Wallet para o KYC. Para a Visa, é a arma de Open Banking frente ao Wero/EPI.
Exemplos concretos
- PayPal Pay in 4 EU: a Tink avalia a capacidade de pagamento.
- N26, Bunq, Revolut: agregação multibancos na UE via Tink.
- Klarna: scoring de crédito e KYC via Tink.
- Apple Pay Later UK: integração Tink (antes do encerramento nos EUA).
- Valuation: revendida por € 1,8 bi em 2022, após uma rodada que a avaliou em ~€ 680 mi em 2020.
- Conformance: uma das primeiras fintechs da UE certificadas FAPI Advanced.