Definição
O Request to Pay (solicitação de pagamento), ou SRTP em seu nome completo no EPC, é um scheme padronizado pelo European Payments Council (rulebook v1 em novembro de 2020, em vigor desde 15 de junho de 2021).
Ele permite que um beneficiário (lojista, credor ou pessoa física) envie uma solicitação de pagamento a um pagador, que decide aceitar ou recusar e, em seguida, inicia um pagamento (normalmente um SCT Inst). É a camada de solicitação que complementa a camada de execução (SCT / SCT Inst): a solicitação passa a ser digital, estruturada e rastreável, onde antes o beneficiário precisava informar seus dados bancários por fora. O SRTP é o componente subjacente do Wero merchant, do pagamento na entrega, da cobrança digital e das faturas B2B.
Como funciona
Cinco ações compõem o scheme: criação da solicitação, entrega ao pagador, decisão (aceitar, recusar ou aceitar com alteração), execução (geralmente SCT Inst) e confirmação ao beneficiário.
Características técnicas
- Mensageria: ISO 20022 (
pain.013para a criação,pain.014para a resposta). - Transporte: livre (API REST, AS4, mensagem MX).
- Sem transferência de dinheiro: o SRTP é apenas a camada de solicitação; a execução é separada.
- Sem obrigação de aceitar: o pagador mantém o controle (diferença em relação ao SDD).
- Multicanal: web, app, e-mail, QR code, NFC.
Arquitetura do EPC
O EPC publica o rulebook; existem vários operadores de roteamento (EBA Clearing desde 2021, Wero/EPI, hubs privados). A adoção ainda é lenta, mas deve acelerar com o IPR (SCT Inst gratuito obrigatório em outubro de 2025), a implantação do Wero merchant e a pressão dos lojistas para reduzir os custos de adquirência.
Casos de uso
- E-commerce: botão "Pay with Wero" ou "Pay by Bank"; um SRTP enviado ao banco do cliente, confirmação + SCA, depois SCT Inst. Custo esperado para o lojista de 0,1 a 0,5% contra 1 a 3% do cartão.
- Cobrança: empresas de energia, telecom e seguradoras enviam solicitações estruturadas em vez de lembretes por e-mail, reduzindo o DSO e a dependência do SDD.
- B2B: faturas com SRTP embutido, pagas em um clique — concorrência direta ao SDD.
- Pagamento na entrega: imóveis, automóveis, móveis de alto padrão.
- P2P evoluído: pedir dinheiro a alguém próximo sem trocar dados bancários (o Wero P2P usa o SRTP).
Vantagens
- Beneficiário: custo quase nulo (SCT Inst), sem chargeback (irrevogável), crédito em menos de 10 segundos, conciliação por end-to-end ID.
- Pagador: autenticação no próprio app bancário, controle da decisão, sem necessidade de cartão.
- PSP do pagador: maior engajamento do cliente, com VoP e contexto integrados à prevenção de fraude.
Limites e desafios
- Sem proteção ao comprador no estilo chargeback (um freio no B2C).
- Cobertura de bancos ainda parcial.
- UX do checkout precisa alcançar o nível do one-click dos cartões.
- Notificação push que pressupõe um app bancário ativo.
- Forte inércia do ecossistema de cartões.
Comparação internacional
| País / Sistema | Solicitação de pagamento |
|---|---|
| EU SEPA | SRTP (EPC) |
| Reino Unido Pay.UK | Request to Pay (2020) |
| Brasil Pix | Pix Cobrança / Cob Garantido |
| Índia UPI | UPI Collect Request |
| Suécia | Swish |
A UE está atrás do Brasil e da Índia, mas o IPR e o Wero estão acelerando o ritmo.
O que o Request to Pay não é
- Não é uma transferência de dinheiro: é uma solicitação; a execução é separada.
- Não é um débito SDD: não há autorização prévia, e sim consentimento explícito a cada solicitação.
- Não é obrigatório para o pagador, que pode recusar sem penalidade.
- Não é uma API PIS da PSD2: o SRTP é um scheme entre PSPs, enquanto o PIS é uma API exposta pelos ASPSPs — ainda que os dois convirjam.
- Não é uma wallet: o Wero o usa como trilho, mas o SRTP não é uma wallet.
No ecossistema PSD2 / Open Finance
O SRTP é o complemento natural do IPR e do PIS: o PIS inicia do lado do pagador (por um TPP), enquanto o SRTP envia uma solicitação do lado do beneficiário (validada no app bancário). Os dois coexistem e podem se combinar — a visão "Open Banking 2.0": transferências instantâneas, gratuitas, push ou pull, integradas à experiência do cliente.
Exemplos concretos
- EBA Clearing SRTP: em produção desde 2021, com várias dezenas de bancos participantes.
- Wero merchant: envia o pagamento ao pagador no checkout, que responde com um SCT Inst.
- Crédit Agricole / BPCE: pilotos de 2024–2025 em cobrança.
- iDEAL (NL): modelo parecido, porém nacional, que o Wero vai substituir gradualmente.
- Pix Cobrança (Brasil): modelo dinâmico de QR code para pagamentos a lojistas.
- BNPL: enviar um SRTP a cada parcela, em vez de um débito automático, melhora a UX e a taxa de sucesso.
- B2B: uma fatura emitida pela Pennylane ou pela Sage com SRTP embutido, paga em um clique no banco.